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Estratégias contra o bullying são foco de audiência pública na Câmara de Marília

por Thais Helena Iatecola — publicado 01/09/2026 17h13, última modificação 01/09/2026 17h13

A audiência pública sobre a conscientização, prevenção e o enfrentamento do bullying e cyberbullying entre crianças e adolescentes em Marília traçou importantes estratégias de combate às práticas, em especial nas escolas. O debate foi realizado na Câmara após iniciativa da vereadora Vânia Ramos (Republicanos), por meio do Requerimento 1.169/2026, e reuniu representantes da Saúde, especialistas, entidades de classe, Projeto Dialogar para Proteger e população em geral.

Conforme Vânia Ramos, a ideia da audiência surgiu da necessidade de trabalhar a prevenção, mas também o acolhimento e a responsabilização. “Precisamos preparar as escolas para lidar com o bullying e o cyberbullying, já que é neste espaço que a maior parte das ocorrências acontece. Professores e profissionais da Educação têm de estar preparados para identificar os sinais, fortalecer as famílias e orientarem que o respeito não é opcional e que as vítimas devem quebrar o silêncio e serem ouvidas. A voz de crianças e adolescentes tem que ser considerada. Essa audiência não é para procurar culpados, mas um importante instrumento na busca por caminhos, estratégias e políticas públicas que garantam resultados”.

A presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Marília, Alessandra Guedes, parabenizou o Legislativo pela iniciativa e destacou que o enfrentamento ao bullying não é responsabilidade de apenas uma instituição, mas de toda a sociedade. “Não pode ser tratado como brincadeira ou conflito. Quando há repetição, traz consequências graves. Precisamos falar de responsabilidade, de consequência jurídica, mas principalmente de prevenção. Temos que sair dessa audiência com o compromisso de construirmos medidas concretas e permanentes, como aperfeiçoamento dos protocolos nas escolas para o enfrentamento, capacitação dos profissionais que trabalham com crianças e adolescentes, garantir canais seguros para as vítimas recorrerem e ações educativas que incentivem a cultura do respeito, empatia e tolerância. A OAB está à disposição para colaborar nesse processo”.

A coordenadora do Projeto Dialogar para Proteger, a advogada Adryane Melissa da Silva de Almeida, discorreu sobre a iniciativa realizada por voluntários desde o mês de junho nas escolas municipais com alunos do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio que aborda o enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying. “Fazemos palestras nas escolas demonstrando as implicações jurídicas a quem pratica e orientando as vítimas sobre quem procurar e acolhimento. É triste ouvirmos relatos de diretores, com casos de vítimas adolescentes que se automutilam. Há uma legislação de 2024 que tornou o bullying e o cyberbullying crimes e precisamos conscientizar os adolescentes para eles assimilarem. Numa segunda etapa a ideia é fazermos palestras para os pais dos alunos”. Ela apontou que, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, com dados de 2024, entre estudantes de 13 a 17 anos, 40% sofriam com bullying. “Ou seja, é um problema grave e que deve ser enfrentado”.

A também advogada Bruna Tavares de Melo falou sobre sua experiência como vítima de bullying na adolescência e reforçou a importância de as escolas estarem preparadas para o acolhimento. “Fui vítima na escola em que estudava e posso dizer que não tive o acolhimento adequado. A forma como se oferece ajuda é tão importante quanto a ajuda em si. Precisamos capacitar professores e educadores para identificarem quando uma criança está sofrendo, de protocolos, regulamentação, oferta de apoio emocional, canais seguros e discrição. O bullying que sofri não me definiu, mas trouxe prejuízos para mim”.

Samuel Augustto, do Conselho Tutelar, parabenizou a vereadora Vânia Ramos e o Legislativo pela audiência e o espaço para debate e abordou em sua fala as atribuições do órgão público no enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying e a importância de uma rede de proteção ativa e integrada para seu enfrentamento. “A violência do bullying não é física, mas o seu hematoma se não for bem tratado, traz consequências para o resto da vida. Infelizmente as ocorrências só crescem, por isso é fundamental que a rede de proteção esteja articulada, entendendo a problemática no mesmo nível. Ainda há muitas dificuldades para a efetividade da legislação de 2024 e nossa missão é nos colocarmos a serviço para que isso ocorra”.

Para o presidente do Legislativo mariliense, o vereador Danilo Bigeschi, o Danilo da Saúde (PSDB), importantes avanços na Educação, como as salas de acolhimento e de saúde, também podem fazer a diferença nos casos de bullying nas escolas, assim como a presença de um psicólogo nas unidades escolares. “Parabenizo a Vânia pela iniciativa e a todos os participantes dessa audiência. É importante que essas sugestões que surgiram aqui cheguem até o prefeito Vinicius [Camarinha], que tem sido um parceiro e atendido as demandas dos vereadores. Essa audiência é uma pequena amostra do trabalho da Vânia na defesa da criança e do adolescente, e acredito que, na próxima, poderemos avançar ainda mais na questão do cyberbullying. A internet não pode ser terra de ninguém”.

Além de Danilo da Saúde e de Vânia Ramos, o vereador Elio Ajeka (PP) participou da audiência pública.

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